Redatora-chefe da revista Menu, Beatriz Marques é uma aficionada por comida, muito além da sua vida profissional. Enquanto não pilota as páginas da publicação, busca desbravar a culinária japonesa em São Paulo atrás dos melhores insumos, técnicas e sabores. E divide aqui seus cinco locais – e pratos – favoritos pela cidade

Meu dia a dia é feito de uma mordida atrás da outra. Afinal, ser redatora-chefe da revista Menu é sinônimo de comer fora quase todos os dias. Mas quando eu não estou trabalhando e a escolha está nas minhas mãos, quase sempre vou a restaurantes japoneses. Digo que meu paladar tem olhos puxados!

Aqui vai uma pequena lista com alguns lugares favoritos, que não doem tanto o bolso e passam por diferentes características da cozinha nipônica:

Kan Suke (Foto: Beatriz Marques)

Kan Suke

Simplesmente um dos melhores sushi-ya de São Paulo (e provavelmente do Brasil), com uma estrela Michelin. O itamae-san Keisuke Egashira fala muito pouco português, mas aqui a conversa não interessa muito. É um momento de contemplação dessa arte culinária. São pouquíssimos lugares no balcão, de onde dá para apreciar a dança das mãos de Egashira, em ambiente sem ostentação. Shari (arroz do sushi) perfeito, peixes fresquíssimos em corte ideal (não é supergrosso, mas é comprido, ideal para cobrir o arroz) são qualidades dos niguiris. O menu degustação é a grande estrela da casa (R$  280), com o que há de melhor no dia. Mas para quem se preocupa com o bolso, eu recomendo ir na hora do almoço. O menu executivo costuma ter tirashi (shari servido no bowl com fatias de peixes) por R$ 65, e dá uma fiel amostra da qualidade do restaurante. Eu costumo muito ir sozinha ao Kan, escolho um lugar no balcão e aprecio com calma meu prato. Mas há ainda tatames no andar superior, caso queira levar a família ou amigos. Aviso: nunca saia de casa sem fazer reserva.

R. Manuel da Nóbrega, 76 – Paraíso Tel. 3266-3819 

Yakitori

Esse restaurante em Moema vive cheio de japoneses – o que eu considero um bom sinal. Esqueça o sushi e aposte nos yakitoris, o carro-chefe da casa, que são espetos com todas as partes possíveis do frango: pele, moela, fígado, filé, cartilagem são alguns exemplos, sempre preparados no char-broiler e levemente adocicado com tarê (a partir de R$ 7,10 cada). Há também outros espetos: os meus favoritos são de quiabo, de berinjela com katsuobushi ralado (peixe seco desidratado), de moti (arroz aglutinado) enrolado no bacon (este não tem no cardápio, precisa perguntar se está disponível no dia).

E nos dias mais frios, é quase “de lei” comer o oden, o famoso cozido japonês. O caldo rico em umami e fumegante vem com nabo, tofu, ovo, konhaku (produto gelatinoso feito com batata konjac), alga kombu, charuto de repolho e trouxinha de tofu. E sempre é servido com karashi (pasta de mostarda japonesa), para pincelar cada um dos ingredientes antes de comer. É bem mais intensa que a raiz-forte, mas faz toda a diferença no prato. Você pode pedir o oden completo (R$ 74) ou por ingrediente (R$ 7,90 cada).

Av. dos Carinás, 93 – Moema / Tel. 11 5044-7809

Ikkousha, na Liberdade, faz parte de uma rede de laméns (Foto: Beatriz Marques)

Ikkousha

Ainda falando em Liberdade, o bairro virou, sem dúvida, uma referência em lámen. O velho e bom Aska continua com longas filas (e atendimento sem muitos sorrisos), assim como os mais animados Lamen Kazu e Porque Sim, ambos na rua Tomás Gonzaga. Mas agora uma nova casa de lámen, na mesma rua, vem conquistando os vidrados em macarrão no caldo fumegante: o Ikkousha, restaurante que faz parte de uma rede japonesa com unidades espalhadas pelo mundo. O diferencial está no caldo tonkotsu, ainda pouco explorado no Brasil. O caldo é feito à base de ossos do porco e fica literalmente denso e saboroso (falo que parece um porco líquido!). Com direito a ovo, cebolinha e fatia de copa lombo, é uma refeição completa por R$ 36– ideal para curar ressaca! Para os mais corajosos, ainda há versão apimentada.

Rua Thomaz Gonzaga, 45 loja E / Tel. 11.3132-6033

Kidoairaku

Se você não tiver raízes nipônicas, pode se sentir um peixe fora d’água no Kidoairaku, no bairro da Liberdade. A casa simples, com toalhas de plástico nas mesas, luz fria e cardápio escrito em japonês nas paredes, pode assustar os mais desavisados. Mas não se arrependem depois que dão a primeira mordida. Se for no almoço, o teishoku (a partir de R$ 66) é praticamente obrigatório, com conservas, legumes cozidos, gohan, missoshiru e alguma proteína (um dos mais pedidos é o frango grelhado com missô). Na parte da noite, vale pedir boas doses de shochu para acompanhar a lula recheada com shimeji, iscas de fígado com nirá e broto de feijão, e a imperdível berinjela grelhada com missô e gergelim. Kampai! 

Rua São Joaquim, 394 – Liberdade / Tel. 11.3207-8569

Kenzo Sushi (Foto: Beatriz Marques)

Kenzo Sushi

Quando as pessoas me perguntavam indicação de lugar para comer sushi na Liberdade, eu ficava em dúvida. Isso foi até eu conhecer o Kenzo Sushi, restaurante relativamente novato na movimentada rua Tomás Gonzaga. Os sushis preparados por Hiromitsu Konno e sua equipe são bem acima da média do bairro, com qualidade impecável dos peixes – comprados diariamente pelo proprietário Takashi Okuno – e shari bem temperado e levemente morno. A variedade impressiona: em todas as vezes que fui ao Kenzo tinha o atum bluefin, um deleite para os foodies; ovas de bacalhau, enguia, barbatana de linguado, hokkigai (um molusco bem carnudo) e outras iguarias mais raras de se encontrar fazem parte do menu degustação (hoje, com cerca de 16 unidades, custa R$ 230).

Rua Thomaz Gonzaga, 45F – Liberdade / Tel. 11.3132-3777

Posts relacionados