Gastronomia pantaneira espanja sabor e simplicidade. Todo brasileiro deveria experimentar.

A vista que se tem já na aterrisagem, no pequeno aeroporto da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, dá uma gostinho da experiência que vem pela frente. Situada na região Centro-Oeste do Brasil, a carinhosamente chamada capital do Pantanal, ainda é pouco explorada, até pelos brasileiros. Sua beleza é subestimada, mais ainda sua gastronomia. É um destino que deve estar na lista de qualquer travelaholic.

A apenas 6km da Bolívia, Corumbá carrega traços culturais fortes da cidade vizinha, e também do Paraguai, principalmente no quesito gastronômico.

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Além da fauna e flora exuberante, a cidade apresenta a gastronomia como característica forte, rica em culturas e cheia de sabor. Esqueça o requinte, invenções ou técnicas. A ordem aqui é desfrutar o que a simplicidade, genuinamente, tem de melhor. E tem coisa melhor?

Cidade de povo muito acolhedor, não estranhe a sensação de logo chegar e se sentir em casa. Aliás, todos os lugares e restaurantes visitados, desfrutamos desse sentimento. Ao começar pelo restaurante Mígueis, da simpática proprietária Amanda. É lá onde você deve experimentar o famoso Peixe a Urucum. Feito com filé de peixe pintado, ganhou ao longo dos anos modificações da receita original, e hoje é servido com molho que tem como base creme de leite, e é finalizado e gratinado com queijo. Simples e muito saboroso! Impossível visitar Corumbá e não degustar essa iguaria tradicional. A receita, muito popular da cozinha pantaneira, ganhou esse nome em homenagem a uma mineradora do Morro do Urucum, onde o prato foi criado.

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De sobremesa, peça pelos doces caseiros de abóbora e de batata doce, feitos pela sogra da Amanda.

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Na cidade existem alguns personagens responsáveis por difundir a culinária pantaneira. Como é o caso da Dona Nuncia, paraguaia, cabelereira da cidade, vive há mais de 30 anos em Corumbá, e é famosa por fazer a melhor sopa paraguaia da região. Sim! A foto da sopa, que não tem nada de líquida, é a que você vê abaixo. A receita, que quando pronta, se parece com uma torta, tem o milho, queijo meia-cura e cebola (leia-se muuuuita cebola) como base, é uma surpresa muito agradável ao paladar, por sua simplicidade. Além da sopa, Dona Nuncia pode, também, “pegar pelo estômago” com as incomparáveis chipas paraguaias, que se assemelha ao nosso pão de queijo, mas com um toque todo especial da erva-doce e segredinhos da cozinheira.

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Já o casal João Arruda e Rosa Aline é famoso quando o assunto é bolo de arroz. Outro prato muito apreciado no pantanal, é feito a partir da mandioca, farinha de arroz, coco e queijo da terra. Cada bolinho tem o tamanho semelhante a um cupcake. Então não conte as calorias e se delicie com cada pedaço. Vale muito a pena!

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Para conhecer a fundo a cultura gastronômica local, experimente o verdadeiro café-da-manhã pantaneiro, conhecido como quebra-torto. O desjejum, facilmente encontrado nas fazendas da região, remete as refeições dos peões que tocavam as grandes comitivas de gados. Prepare-se, pois o menu é reforçado. Macarrão de comitiva, arroz carreteiro, mandioca frita, batata doce, paçoca de carne seca, farofa de banana, são algumas das opções, que mais parece um farto almoço.

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Como a carne é um elemento muito presente na cozinha local, não poderíamos deixar de citar o pranchão soleado, receita do Sr. João Batista que, há 30 anos, empresta seu nome ao seu restaurante, Bar do João. O corte do coxão duro fica por uma noite no sereno e é soleada por dois dias pela manhã. Assado na brasa, ganhou esse nome porque, segundo Seu João, quando no espeto, se parece com uma prancha de madeira. Para acompanhar mandioca cozida e paçoca de carne seca (divina!).

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Antes de dar um “até breve” para Corumbá, não deixe de comer a tradicional saltenha boliviana. Herança trazida do país vizinho, curiosamente, é um dos pratos mais procurados por quem visita a cidade. A receita tradicional é recheada com frango, mas hoje já se pode encontrar com diversos tipos de recheio. Nós, do V&G, batemos na porta do Seu Juan e esposa, e experimentamos a tradicional. Acredite, você não irá se arrepender!

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Corumbá é assim, um festival de boa comida, simpatia, e de beleza rústica.

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