Sem menu, discreto e até com certo com clima intimidador, o estrelado restaurante do Chef Cesar Ramirez é uma experiência muito mais que gastronômica, é uma aula sobre a verdadeira essência do comer bem 

A primeira impressão, é de um ambiente extremamente rígido e meio enigmático. Ao entrar, apenas 18 lugares ladeando a cozinha, em um amplo balcão de inox. Os funcionários são extremamente educados, mas é inegável que existe um clima de intimidação. Aqui não é permitido fotografar os pratos ou o ambiente e me senti um pouco aliviada, até porque gosto mesmo é de apreciar a comida. E, às vezes, tenho dificuldade com esta mania e distração moderna. Mas o impedimento parece ser maior. Comecei a fazer algumas anotações, ao menos, de algumas percepções ou pratos do menu e fui alertada pela sommelier: não é permitida anotações dos pratos.

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Tive que, pelo menos, fazer um memo das percepções, minha memória não é tão boa. Com a maternidade, confesso que ficou um pouco mais falha. Sem menu, o maître anota apenas as alergias e restrições alimentares, a partir daí, um único menu degustação em torno de 20 pratos é servido.

Depois de um tempo, o simpático chefe chega ao nosso lado, após um longo tempo de concentração em cima de cada detalhe do pratos, me apresento como jornalista e delicadamente peço para escrever sobre o restaurante. Mexicano, o Chef Cesar Ramirez tem um respeito admirável pelos ingredientes.

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Com muita educação, o Chef dispensa comparações. Apesar de sua cozinha ser baseada em frutos do mar e ter um hashi à frente para degustar alguns pratos, não se considera um japonês. E não é mesmo. Sem desmerecer a cozinha inventiva, espumas ou experiência químicas na cozinha, ele explica que busca a simplicidade na sua comida. “Respeito a comida.”, diz ele delicadamente. Apesar da simplicidade ser o objetivo, não é o que vemos à mesa – isso no melhor sentido possível. São sabores inusitados, ingredientes que harmonizam e sabores que não sobressaem, uma perfeita orquestra onde cada um tem seu tempo de aparecer. É uma harmonia.

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Fazia tempo que não tinha esta sensação tão boa e pura ao degustar uma refeição em um restaurante estrelado. Sim, apesar de dispensarem rótulos ou constelações, a casa possui as tão sonhadas três estrelas do Michelin. E sinceramente? Cada uma mais que merecida.

A impressão aqui e depois confirmado pelo Chef é que cada prato tem um ingrediente buscado em uma parte do mundo. Na região que melhor foi cultivado. E aqui não tem sazonalidade, as trufas não faltam, assim como o uni trazido direto do Japão. O segredo? “O bom relacionamento”, diz o compenetrado chef. E seu jeito discreto e envolvente, que dá para compreender que isso é sua fórmula de sucesso. Além da comida excepcional.

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A boa notícia é que o Chefs Table at Brooklin Fare está de mudança no final do ano para a ilha de Manhattan. A atual casa dará lugar a um novo projeto do chef. Sem as fotos, aqui são todas de divulgação, resta mencionar os pratos que ficaram na lembrança e deixar a recomendação. Reserve com antecedência e não deixe de ir. É uma experiência incrível.

Fotos divulgação

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