Uma das joias da gastronomia portuguesa, em Évora, tem apenas 10 lugares e gastronomia de primeira 

 

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Muitos o recomendam como o melhor restaurante de Portugal (do Alentejo é, sem dúvida). Mas, para a gente, ele representou um desafio: é impossível conseguir uma reserva lá. Ainda mais nas nossas condições – um belo grupo de 12 pessoas.

A primeira tentativa de reservar uma mesa no Tasquinha D’Oliveira, localizado em Évora, foi mais rápida e dolorida do que imaginávamos: um sonoro “não”, seguido do Seu Manuel, o dono, rapidamente desligar o telefone. Não faltaram outras ligações, argumentos, e proposta de reduzir o número do grupo: “Olha, se quiserem, tenho uma desistência, uma mesa para dois lugares”. Depois de quase uma disputa de palitinhos, resolvemos garantir os dois lugares e tentar a sorte de incluir mais pessoas na hora do jantar.

Ligamos um minutos depois. Os lugares já estavam completos!

 

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Com uma perseverança inimaginável, às 18h30, quatro sobreviventes do grupo resolveram tentar a sorte. Estava frio, chuviscando, e ficamos lá, na rua, literalmente com a cara na porta.

O restaurante, que abria às 19h, ainda estava fechado. Seu Manuel passava e nos olhava, sem fazer qualquer menção em vir falar conosco. Assim que a casa abriu avançamos em todos os argumentos possíveis, mas nada. Depois de muita, mas muita insistência, e, com o argumento de que, assim que a mesa das 20h chegasse, ele poderia “nos expulsar” (ele adorou esta parte), conseguimos entrar.

Descobrimos, então, o motivo de tanta dificuldade, além da premiada comida, o restaurante tem apenas cinco mesas, de dois lugares cada, e atende apenas os 10 clientes por noite.

 

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Portas abertas!

No começo, Seu Manuel estava extremamente mal humorado, mas, assim que, para a nossa sorte, a reserva das 20h foi cancelada, nossa experiência mudou. Ele gentilmente pediu desculpas e explicou que estava preocupado com a outra mesa. Disse que tudo havia sido obra do destino e nos tratou como se tivéssemos “caído do céu”.

 

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De entrada, há uma quantidade tão grande de pratos que não dá para descrever. Uma tentativa: caranguejo fresco, ovinhos com menta, grão de bico com bacalhau, perdiz à scabeche, queijo português, frango desfiado, ovo verde (empanado com atum), cordeiro à milanesa e patanesca de batalhau. Repito, de entrada. Um melhor que o outro, e tudo já poderia ser a refeição por si só. Acompanhado por um excelente (e barato) vinho português, claro.

 

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De prato principal, optamos pelos três mais pedidos. O primeiro, um suflê de camarão, de maciez, consistência e sabor indescritíveis. Foi o melhor suflê que já comi. Em seguida, um arroz de pato, com linguiça, diferente do que estamos acostumados aqui, mais seco, feito no forno – eu adoro.

 

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E, para completar, bacalhau à Tasquinha, com natas, no azeite e com cebola. Não conheço tantos adjetivos para descrever a leveza e sabor deste prato. Comer rezando é pouco.

 

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Na dúvida, e com vontade de experimentar todo o cardápio de sobremesas, pedimos uma degustação com um pouco de cada: encharcada do convento Santa Clara (doce de gema com canela), sericá de amoras (nossa siricaia), farífias (clara e doce de ovos) e tarte de amêndoas.

A gula falou mais alto e repetimos a encharcada e a farófias, incríveis.

 

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Saímos felizes e com a sensação de que, obra do destino ou não, tivemos o privilegio de ter feito uma das melhores refeições em Portugal. E a lição de que Seu Manuel leva a serio a presença de cada cliente, como realmente fosse uma obra do destino. Na próxima, com reserva bem antecipada.
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A Tasquinha só tem um serviço (uma pessoa por lugar), não existe espera: “Para servir muito bem”, diz Manuel. Aí você entende que o “mau humor” dele, na verdade, é primor pelo serviço e pela boa gastronomia.

 

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Serviço
Rua Cândido dos Reis 45 – A Évora 7000-582 Évora

Tel: (+351) 266 744 841

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