Por Mayara Corrêa

Conheci Oaxaca de uma forma despretensiosa, em uma viagem que a cidade entrou no roteiro como uma passagem rápida para ver um amigo. O que eu vi foi uma cidade pequena com arquitetura moderna, cheia de história, bem cuidada e que esconde grandes segredos culinários. Quando eu pensava em gastronomia mexicana a primeira coisa que me vinha à cabeça eram os famosos “totopos”, guacamole e, claro, a tequila. A cultura da culinária Oaxaqueña é uma das mais (senão a mais) importantes do México e, não à toa, é reconhecida como patrimônio da humanidade pela UNESCO. Pode soar meio estranho para nós brasileiros, mas é muito comum encontrar petiscos com os famosos vermes de Maguey – formigas e gafanhotos fritos. Antigamente era uma questão de sobrevivência, mas hoje tornaram-se os petiscos preferidos dos mexicanos. Em todo barzinho que você pede um drinque de mescal, pode ter certeza que virá um potinho com um pouquinho de chapulines. Mas, fique tranquilo se você não quiser se aventurar nos chapulines (gafanhoto) e gusanos (verme de Maguey), pois a culinária Oaxaqueña ainda tem muito a oferecer!

O que era para ser uma rápida passagem, tornou-se uma experiência gastronômica ímpar, onde pude conhecer novos temperos, sabores e combinações. Veja a seguir os meus restaurantes preferidos:

Los Danzantes é uma das boas opções para comer em Oaxaca (Foto: reprodução site)

Los Danzantes

Dos restaurantes que visitamos, este foi meu preferido. Bom atendimento, arquitetura e decoração de extremo bom gosto, uma explosão de sabores nos drinques e pratos apresentados. Chegamos sem reserva, na noite de los muertos – uma noite em que a cidade está em festa e lotada de turistas famintos. Ficamos na espera em torno de 30 minutos e aproveitamos da melhor forma: com excelentes drinques de mescal e alguns chapulines. O bar da espera fica no piso superior, com uma sacada que tem vista para a rua. Como era noite dos mortos, a rua estava lotada de foliões dançando e celebrando seus antepassados com fantasias de mortos e rostos pintados de caveira. No jantar, o garçom indicou uma entrada especial do dia, umas tortillas de atum. Para o prato principal, optei pelos Camarones al coco, com molho agridoce e arroz com creme de Huitlacoche. O Huitlacoche é um tipo de fungo que nasce nas espigas de milho tenras, ou melhor, milhos estragados – que é uma iguaria muito apreciada na região, também conhecido por ser o caviar dos astecas. Arrisco dizer que este foi o prato mais saboroso que experimentei em Oaxaca. Meu noivo pediu um frango sem ossos (famoso frango atropelado) com mole rojo, que foi superaprovado. O mole também é bem típico nos pratos mexicanos e não dá para comparar o sabor com os das receitas brasileiras. Para chegar um pouco mais perto, arrisco dizer que o sabor do mole é algo entre chocolate amargo com pimenta (mas ainda assim é impossível descrever). As sobremesas eram encantadoras, mas preferimos pular esta parte! Faixa de preço média, mas ainda assim, mais barato do que um restaurante médio em São Paulo.

Macedonio Alcalá 403, Centro, 68000

Casa Oaxaca

Drinques no bar do Casa Oaxaca (Foto: Mayara Corrêa)

É o restaurante mais famoso de Oaxaca, aconchegante e localizado ao lado da Igreja Santo Domingo, no centro. Mesmo sem reserva e com o restaurante cheio, entramos e já fomos acomodados em uma mesa no terraço, com vista para o pátio da igreja – que estava repleto de pessoas assistindo a um teatro com danças típicas. Logo que chegamos, escolhemos nossas bebidas (drinques de mescal, claro) e um garçom se aproximou da mesa com um tabuleiro e diversos tomates, pimentas, cebola, formigas, gafanhotos e o que mais você puder imaginar. Ele preparou nossa “salsa picante” a gosto, ou seja, com os ingredientes que escolhêssemos. Tínhamos a opção do molho mais suave e mais apimentado – escolhemos o mais suave, pois ficamos com medo de ser muito forte – wrong choice! O mais suave não era picante e ele só colocou pimentas sem ardência, tipo biquinho. Por isso, se você prefere as opções mais picantes, fique com o molho mais apimentado ou peça a ardência média (afinal, estamos no México!). Pedimos algumas entradas e a minha preferida foi a flor de calabaza, uma abobrinha pequena com flor, como se fosse um physalis, recheada com queijo, mel e um crocante feito com batatas, acompanhada de purê de banana. No prato principal escolhi camarões com cogumelos salteados com flor de abobrinha, alcaparras e purê de banana, mas deixou a desejar. O prato principal escolhido pelo meu noivo foi um cordeiro com chichilo rojo (uma versão do Mole), que foi muito aprovado!

Calle de La Constitución #104-A, Ruta Independencia, Centro, 68000

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