O mundo dos vinhos sempre encanta, também é um ótimo companheiro para uma boa refeição. E pensando nisto, temos um novo colunista: o jornalista Flávio Ribeiro de Castro, sócio da FSB Comunicação, apaixonado por comida, charutos e, claro, vinho. E na sua estreia ele desvenda o Malbec, varietal trazida aos holofotes pela nossa vizinha Argentina. Além de contar um pouco mais sobre a uva, também dá boas dicas de garrafas para sua adega

Os vinhos Malbec parecem ser onipresentes atualmente nas lojas e cartas dos restaurantes. Mas há alguns anos eles eram praticamente desconhecidos por aqui e ainda incipientes mesmo na Argentina, país que popularizou a casta. Fui correspondente do jornal O Globo, em Buenos Aires, no final dos anos 90 e lembro que fazia sucesso nas mesas de bar do Rio quando contava a história de uma uva francesa que estava produzindo vinhos excelentes em nosso país vizinho.

Naquele momento, os argentinos estavam vivendo uma verdadeira revolução em sua cultura do vinho, deixando de consumir produtos medíocres e baratos (muitas vezes misturados com água gasosa!) e passando a valorizar vinícolas boutique e blends mais sofisticados. Tudo isso graças à Malbec.

A Malbec é originária de Bordeaux, onde atualmente é muito pouco usada no famoso corte bordalês (a combinação de uvas que colocou os vinhos da região entre os mais prestigiosos do mundo). Tornou-se também a base dos vinhos da região francesa de Cahors. Mas só virou realmente uma sensação do mundo vinícola com os resultados obtidos na Argentina, onde a cepa se adaptou lindamente aos solos secos e à amplitude térmica da região de Mendoza.

Os Malbecs argentinos apresentam, segundo a análise do especialista Marcelo Copello, cor rubi escuro e aromas exuberantes de frutas negras, violeta, baunilha e café. São encorpados e harmonizam deliciosamente com pratos de carne, caça e massas com molhos fortes. São, na minha modesta opinião, alguns dos melhores vinhos que encontramos nas prateleiras brasileiras.

Exatamente por isso decidi fazer uma seleção de bons Malbecs de Mendoza, com preços variados e fáceis de encontrar por aqui. Como toda lista, ela é idiossincrática e se baseia nas minhas preferências pessoais. De qualquer forma, acredito que possa ser um guia interessante para quem quer se aprofundar na casta. Espero que seja útil!

Alto las Hormigas Malbec

Para começar, vale provar a linha básica deste interessante produtor, que tem entre seus sócios o enólogo Alberto Antonini, ex-Antinori e Frescobaldi (dois dos principais produtores italianos). O da safra 2016 custa R$ 86,00 e ganhou 92 pontos do guia Descorchados, especializado em vinhos do Cone Sul.

Escorihuela Gascón Malbec

Feito por uma das vinícolas (ou bodegas, como elas são conhecidas na Argentina) mais tradicionais de Mendoza, este vinho está na faixa dos R$ 100,00 e é uma excelente porta de entrada para o universo da uva Malbec. Possui corpo médio e lindos toques de fruta. Para quem quiser gastar um pouco mais, as linhas Pequenas Producciones (por volta de R$ 240,00) e Miguel Escorihuela Gascón (acima de R$ 350,00) estão entre os melhores argentinos que tomei atualmente.

Riglos Gran Malbec

Vinho fresco, com notas de ameixa, cereja, violeta e tostado. Na casa de R$ 200,00, combina perfeitamente com um lindo churrasco (esqueça a cerveja, por favor!) e com pratos de pato. O Riglos Gran Corte, com base de Malbec, Cabernet Sauvignon, e Cabernet Franc, também é delicioso.

Pulenta Estate I Malbec

Feito por uma bodega relativamente nova, este é um vinho estruturado, típico da casta, com notas de frutas vermelhas e flores. Na faixa dos R$ 150,00, é uma excelente opção para o dia-a-dia. O Pulenta Estate X Gran Malbec demanda um investimento maior, na casa dos R$ 350,00.

Viña Alicia Brote Negro

Feito com uvas de um vinhedo de mais de 80 anos, é inesquecível, intenso e consistente. Possui coloração escura e notas de fruta madura, passas e violeta. É recomendado para pratos fortes, como caça, cordeiro ou um bom cabrito. Tem um pequeno problema: seu preço está na casa dos R$ 450,00.

Judas Malbec

Não precisa se preocupar, porque este vinho não irá lhe trair. Seu nome vem do fato de que alguns membros da família Sottano começaram a vendê-lo sem que os outros soubessem, apesar de ele ser feito apenas para consumo familiar. Delicioso, com cor vermelha intensa e bom uso de madeira. Seu preço varia bastante, mas está sempre acima de R$ 380,00.

Gran Enemigo

A grande novidade da Argentina nos últimos anos é a bodega El Enemigo, de Alejandro Vigil e Adriana Catena. E o destaque deles é a linha Gran Enemigo, que usa a uva Malbec em sua composição. São caros e imperdíveis, posso garantir. O Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary 2013, um blend de 85% Cabernet Franc e 15% Malbec, ganhou 100 pontos na avaliação do crítico Robert Parker. A linha mais básica, a El Enemigo, também vale muito a pena.

Flávio Ribeiro de Castro é jornalista, sócio da FSB Comunicação e, principalmente, apaixonado por comida, vinhos e charutos.

(Fotos: Shutterstock)

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