Por Eduardo Sena 

Eu costumo dizer que gostar de cerveja não tem a ver só com o paladar. É sobre tudo que envolve essa experiência, que vai da escolha ao momento do consumo, mas também passa pela sua memória afetiva. Duvida? Então vem comigo!

As primeiras cervejas

Se você não nasceu na Bélgica, Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha ou no Reino Unido, bem provável que sua primeira cerveja foi uma “pilsen”, servida estupidamente gelada, num copo qualquer. 

E quantas coisas legais você brindou com ela? Happy hours com amigos na faculdade, no trabalho, incontáveis churrascos, boas notícias. Foram muitas histórias, apesar da cerveja só mudar de marca, pois o estilo e o sabor sempre foram os mesmos ou bem parecidos.

Harmonização de cerveja (Foto: @horadogole)

 A chegada das artesanais

A onda de cervejas artesanais trouxe novos sabores, aromas e experiências para a mesa do brasileiro. Começamos a falar em estilos, a identificar as escolas cervejeiras, e até criar novos sabores incluindo café, mel, rapadura, frutas e diversos insumos tipicamente brasileiros para fazer cervejas artesanais com a nossa cara. 

Tanta opção é de encher os olhos e, certamente, os copos. Ainda mais para nós, que fomos acostumados a beber apenas um tipo de cerveja, a standard american lager – ou mainstream. Uma cerveja leve, clara, baixo amargor, refrescantes e supercarbonatada.  

Essa foi a cerveja escolhida por algumas cervejarias americanas, em meados dos anos 70, como alternativa para trazer a cerveja de novo ao mercado e sair da crise. E ela precisava agradar a maioria e ter baixo custo. Foi essa a que também veio para cá.

Novas opções, novas possibilidades

Hoje, as cervejas mainstream continuam entre nós. Mas ter centenas de marcas e sabores à disposição é uma tentação. Pense nas harmonizações com queijos, carnes, massas, sobremesas? Que me desculpe o vinho, mas a cerveja chegou pra ficar.

Segundo Garret Oliver, o lendário mestre cervejeiro da Brooklyn Brewery, e autor do best seller A Mesa do Mestre-Cervejeiro: “Uma harmonização correta, entre cerveja e queijo é tão perfeita que não se sabe onde a cerveja termina e o queijo começa”. Por que não se aventurar? 

Mas a polarização também chegou ao bar. Hoje, há quem se sinta um verdadeiro belga depois de um gole das artesanais, renegando aquela que sempre esteve ao seu lado em todas as horas, a velha cervejinha mainstream. E há quem não vá para a artesanal por que é forte, amarga, ou cara. 

Certo é que a cerveja artesanal é um caminho sem volta. E quem diz que não gosta, ou começou errado ou tem medo de se apaixonar. Mas não é preciso ser radical, nem pra um lado, nem para outro.

Permita-se conhecer

Experimentar é a melhor forma de descobrir qual o seu estilo preferido, ou se cerveja é a sua praia. Faço isso há anos e até sempre descubro algo novo que me agrada. Mas claro, sempre respeitando quem prefere uma cervejinha menos complexa e sempre gelada. Não há nada de errado nisso e eu também gosto. Afinal, foram minhas primeiras cervejas e tenho memórias deliciosas por conta disso.

Mas o mais importante é compartilhar essa experiência. Curtir cerveja também é sobre bons momentos, amizade, confraternização. E isso independe do corpo, estilo ou do copo em que você bebe.

Então, na próxima vez que for escolher sua cerveja, pense na experiência e faça isso sem medo de errar. Pois cerveja boa é aquela que você gosta, seja ela qual for.

E se quiser uma dica ou tiver alguma dúvida sobre cerveja pode me mandar mensagem. 

Cheers!



Sobre Eduardo Sena 

Publicitário, pós-graduado em gestão de mkt e sommelier de cervejas, escreve em blogs e revistas desde 2004 e é autor do livro “Hora do Gole aquela pausa entre umas e outras”. Sedento por novidades, compartilha suas experiências etílicas e de lifestyle no perfil @horadogole, em seu site Hora do Gole e aqui, sempre com muito bom humor.

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