Por Glauber Britto

Você muito provavelmente já ouviu falar sobre Copenhague e todas as suas infinitas qualidades. A capital da Dinamarca é famosa pelo seu alto nível de desenvolvimento, igualdade, respeito, baixo índice de violência e forte consciência sustentável. Pois bem, fui conhecer a cidade num roteiro de quatro dias, incluindo uma aventura de 24h na pacata cidade de Billund. Copenhague é uma cidade que encanta e surpreende e por isso, compartilho abaixo minhas dicas

Logo que desembarquei me deparei com um anúncio da cerveja Carlsberg que dizia assim: “dizem que nós, dinamarqueses, somos as pessoas mais felizes do mundo”. Depois de ler a frase fiquei ainda mais curioso para conhecer a região, então, vou contar tudo o que acontece na cidade de Copenhague e no interior da pacata cidade de Billund.

Lego House na Dinamarca (Foto: acervo pessoal)

Primeiro dia

Cheguei em Copenhague e fiquei exatamente duas horas para logo em seguida embarcar em um pequeno avião e irmos direto para Billund, uma pacata cidade no centro da Dinamarca. Minha aventura até lá durou apenas 24h, pois o grande propósito era visitar a Lego House. Sim, Billund é a cidade onde nasceu o famoso brinquedo de pecinhas de montas – que é o maior gerador de fonte de renda dos moradores locais – seja porque muitos trabalham na fábrica e na Lego House ou porque hoje os comerciantes se beneficiam desse turismo gerado pela empresa. Em Billund não espere ficar em grandes hotéis de luxo e se hospede em pequenos hotéis com uma linda decoração escandinava e bom conforto. Como cheguei na cidade no final do dia, fui até o hotel descansar e mais tarde comer uma boa pizza em um restaurante italiano super simples. Também não espere restaurantes estrelados, mas lugares que te servem como manda a educação dinamarquesa.

No dia seguinte fui para a Lego House, que abre às 10h, e queria aproveitar cada minuto da experiência da casa antes de seguir de volta para Copenhague. Mas, falando da atração, o que é a Lego House? É um centro de experiência com mais de 12.000 metros quadrados, que foi inaugurado em Billund, em setembro de 2017. A casa é dividida em seis zonas de experiência, incluindo 25 milhões de Lego Bricks. Localizada ao lado da fábrica da Lego, nessa casa, além de viver as experiências maravilhosas com as pecinhas, você também pode se aprofundar mais na história de criação e desenvolvimento do brinquedo visitando o museu que fica dentro da House. Vale ressaltar que a Lego House não abre todos os dias, então é importante consultar no site a disponibilidade de datas e assim, você também já pode comprar seu ingresso com antecedência. Além disso, a house divide seu público com o famoso Park Lego Land, primeiro centro de diversões criado pela empresa para gerar mais renda à cidade.

Segundo dia

De volta para Copenhague, me hospedei no Comfort Hotel Vesterbo, um hotel boutique totalmente descolado, com decoração escandinava misturada com arte. No próprio hotel aluguei uma bicicleta, o meio de transporte usado por 95% da população – inclusive por príncipes e princesas. Se seu hotel não disponibilizar bikes para aluguel, você pode deixar o app Donkey Republic e alugar a bicicleta mais próxima de você – mas não se esqueça que é preciso ter um cartão de crédito com liberação de uso internacional ou PayPal.

Comfort Hotel Vesterbo (Foto: Glauber Britto)

Falando em príncipes e princesas Dinamarquesas, podemos afirmar que Walt Disney bebeu muito na fonte Dinamarquesa para criar seu universo encantado, pois em Copenhague nasceu o escritor Hans Christian Andersen, responsável por muitas histórias que foram projetadas pela Disney, como “A Pequena Sereia”, “A Princesa do Gelo (Frozen)”, “O Patinho Feio”, entre outros. O Park Tivolli, antigo parque inaugurado em 1843, serviu de inspiração para o Parque da Disney. E, depois de saber de todas essas histórias, peguei minha bicicleta e fui visitar a estatua da Pequena Sereia que virou um verdadeiro cartão postal da cidade e fica localizada na região de Langelinge. Pedalei por toda a região e fui conhecer o Kastellet, um forte que foi construído sob a forma de um pentágono, com bastiões em seus cantos e dentro tem um lindo jardim. Na sequência fui visitar o parlamento conhecido como Rhadus que fica em um edifício história de grande importância e é o centro de eventos sociais e políticos da Dinamarca. Na fachada do prédio é possível observarmos símbolos de momentos históricos marcantes da Dinamarca e da cidade de Copenhague. O interior patenteia beleza e requinta, totalmente encantador. Para encerrar meu dia, fui até o Mercado Municipal para jantar no premiado restaurante japonês, Sushi Love, que também foi campeão do World Sushi Cup 2017, realizado em Tokyo.

Nyhavn em Copenhague (Foto: Glauber Britto)
Tivoli Park (Foto: Tina Bornstein)
Tivoli Park (Foto: Tina Bornstein)

Terceiro dia

Mais uma vez fui de bicicleta circular pela cidade e sai do hotel em direção ao porto de Nyhavn, provavelmente o cartão postal mais conhecido de Copenhague. O porto do século XVIII orgulha-se hoje de ser uma das zonas mais atrativas e animadas, com restaurantes, cafés e bares que ocupam os pisos térreos de casas centenárias. A casa mais antiga de Nyhavn é a de número 9, com data de 1681. Ainda próximo, no canal há barcos históricos ancorados que dão aparência mais autêntica ao porto. Depois disso, fui visitar a controversa Cidade Livre de Christiania, uma comunidade independente e autogerida, que oferece uma infinidade de atrações artísticas e intensa vida cultural num estilo de vida alternativo. Para finalizar meu dia, fui me divertir no Tivoli Park, localizado no coração da capital dinamarquesa e é mais do que um simples parque de diversões. O Tivoli é um lugar de emoções fortes, entretenimento saudável, boa comida e uma atmosfera de conto de fadas. É o segundo parque de diversões mais antigo do mundo e desde 1843 acolhe jovens de idade e jovens de espírito.

Veja também: 

O que fazer em Copenhague, por Dani Filomeno

Quarto dia

Meu quarto dia foi o último e mais intenso. Sai logo cedo do hotel para aproveitar ao máximo e fui pedalando até o Palácio Amelienborg, casa oficial da família real dinamarquesa, composta de quatro edifícios idênticos em torno de uma ampla praça. O Palácio é um dos edifícios em estilo rococó mais impressionantes da Dinamarca. Todos os dias, às 12h, acontece a tradicional troca da guarda real e ao longo do dia é possível cruzar com alguém da família real que tenha saído para alguma atividade cotidiana com uma bicicleta. Depois de conhecer esta morada, fui até o Museu do Design e descobri histórias de algumas das peças criadas em épocas diversas e na Torre Redonda, que é única no mundo. Você tem que subir através de uma rampa em espiral que te conduz até ao topo e, sem dúvidas, este é um dos melhores pontos de observação da capital dinamarquesa. De lá, você consegue observar os telhados da cidade e alguns dos edifícios históricos mais emblemáticos de Copenhague.

Glauber Britto (Foto: acervo pessoal)

Para finalizar minha passagem por Copenhague, fui até o restaurante Selma para ter a grade experiência gastronômica da viagem. Eu me deliciei com os pratos que são servidos no único restaurante com selo Bib Gourmand do Guia Michelin. Toda a culinária do restaurante Selma é baseada no Smorrebrod, um sanduíche aberto, prato típico escandinavo, que consiste em uma base de pão de centeio denso e escuro com “recheio” diversificado. O chef Magnus Petterson é quem assina todo o cardápio e para uma experiência completa pedi o menu degustação de cinco pratos. O primeiro foi o Christiansopigens Herring, feito com arenque em conserva com crumble de pão de centeio, manteiga queimada, cebolinha, raiz forte e brotos. Na sequência veio o Confit Young, elaborado com raiz de aipo confitado, maionese de limão, avelã, manteiga queimada e trufa negra. O terceiro prato era o Herb Salted Salmon feito com salmão curado com ervas, queijo fresco, beterraba em conserva, raiz forte e agrião. A quarta etapa era composta pelo Pork Cheeks, um prato feito com bochecha de porco, compota de maçã, raiz forte e couve de toscana. Para finalizar, a sobremesa era uma surpresa do chef, que serviu um sorbet de limão, mousse de chocolate branco, caramelo salgado com flor de sal e arrematou com um Tuille de Nougatine.

Hot tip

Moeda: você pode trocar Dólar ou Euro por DKK, a moeda oficial dinamarquesa. Nenhum lugar aceita outra moeda, porém aceitam cartões de crédito e convertem normalmente.

Temperatura: o início do outono é sempre nublado e com baixas temperaturas, entre 6º a 10º graus. Quase não chove, porém prepare os casacos e se possível, uma segunda pele térmica. Caso não tenha nenhuma opção, fiquei calmo! Em Copenhague tem loja Uniqlo, que é especializada em roupas hightech.

Meio de transporte: de preferência, circular a cidade de bicicleta ou andando já que o sistema do metrô é confuso. Outra opção é andar pelas ruas de patinete.


Nascido em Vitória da Conquista, na Bahia, o arquiteto Glauber de Lopes Britto atua no mercado de Visual Merchandising desde 2007 com sua empresa de cenografia, vitrine e store desing, a Ideia3 e atende, principalmente, os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em seu currículo consta também passagens por empresas como Track & Field e Levi’s Brasil. Há quatro anos foi morar em Sydney, na Austrália, depois de se casar com o Cônsul Brasileiro Ricardo Bartolomeu. Hoje moram em Luanda, na Angola, devido à transferência de posto consular de Ricardo. Juntos, já visitaram mais de 30 países e transformaram as viagens em um verdadeiro diário de bordo com impressões pessoais e imagens de todos os cantos. Os relatos e registros fizeram sucesso entre os amigos que, hoje em dia, Glauber começou a dar dicar de como programar viagens, calcular os melhores passeios e também sugerir algumas experiências gastronômica e roteiro de compras.

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