Por Artur Tavares

De volta ao Brasil após participar do World Class Competition, Gabriel Santana fala sobre sua segunda ida ao mundial de coquetelaria

Gabriel Santana do Benzina Bar (Foto: divulgação)
Gabriel Santana do Benzina Bar (Foto: divulgação)

O balcão do bar paulistano Benzina, um dos mais badalados da Vila Madalena, é lar há dois anos de Gabriel Santana. Bartender que teve formação em hotelaria na Suíça, ele retornou ao Brasil como sensação após conquistar fama em suas passagens pelo hotel Mandarim Oriental e pelos bares Tartares & Co. e Bistrot 23, todos em Genebra. Jovem, tatuado, de estilo brincalhão e despojado, Gabriel detém um feito impressionante: é a única pessoa a ter participado de dois World Class Competition, a maior competição de coquetelaria do mundo, representando dois países diferentes. Em 2017 foi pela Suíça, e neste ano pelo Brasil.

Promovido pela gigante das bebidas mundiais Diageo, o World Class é itinerante, e neste ano aconteceu em Glasgow, na Escócia, na última semana de setembro. Gabriel aproveitou a primeira semana de outubro na Europa, e, em seu primeiro dia de trabalho no retorno a São Paulo, conversou conosco sobre a experiência: “Fiquei entre os oito melhores do mundo, mas não cheguei ao speed challenge final. Foram dois meses intensos de preparação após a final brasileira.”

Para vencer o World Class Brasil nesse ano, Gabriel executou com perfeição o drinque autoral Junino: “A ideia da competição brasileira era homenagear nosso país, por isso pensei em algo muito tradicional nosso, as festas juninas. Fiz um coquetel que levava um cordial de cacau e pinhão feito com bourbon, espuma de canjica, e até uma maçã do amor falsa.” Por aqui, ele concorreu contra Gabriel Bueno, do restaurante DOM, Vinicius Kodama, do Ponto Gim, e Rafael Welbert, do Balaio IMS.

Gabriel disputou a final mundial contra outros 54 concorrentes, e neste ano o troféu ficou com a bartender Bannie King, do bar Anti:Dote, de Singapura. Antes de desembarcar na Escócia, foi até a Holanda conhecer a destilaria da vodca Ketel One, e já no país britânico pode visitar também as destilarias dos single malts Talisker e Singleton Glen Ore, além da sede da Johnnie Walker, onde as etapas classificatórias para o top 8 do World Class foram realizadas. Infelizmente, ele não chegou lá: “Não posso ficar triste comigo mesmo porque realizei tudo aquilo que me preparei em dois meses intensos. Não cometi nenhum erro, mas o nível mundial é muito alto”, ele diz. “Se eu chegasse à final, teria que fazer seis drinques o mais rápido possível. Tinha preparado um show e tanto, e o que mais me decepcionou foi não ter conseguido mostrá-lo ao júri.”

Se aqui no Brasil a coquetelaria ainda está engatinhando, com um público que ainda está se iniciando nos clássicos, enquanto consome uma enorme quantidade de gim tônicas, Gabriel afirma que toda a visibilidade que tem recebido pelo prestígio das competições tem sido benéfica: “O Benzina tem dois anos, e nesse tempo recebi muita gente me apoiando, querendo saber mais do meu trabalho autoral. Agora, com esse reconhecimento, vou fazer um cardápio World Class, que servirei entre terça e quinta, com todos os drinques, desde a classificação até o mundial, para a galera vir experimentar.”

Em cartaz em até duas semanas, o novo cardápio terá mais de uma dezena de coquetéis. De acordo com Gabriel, tudo é bastante acessível: “é bom para o público entender que não são drinques distantes, que servem apenas para um grupo de juízes darem nota. Tem muita ideia em tudo o que faço.”

Mesmo sem ter trazido o troféu mundial para casa, o bartender se diz satisfeito com suas duas participações no World Class, e por enquanto não cogita uma nova participação: “Não quero participar no ano que vem. Quero estar em Sydney para assistir a final, mas só isso. Atingi um lugar que queria, e agora acho que é a hora de ajudar as pessoas a chegarem onde eu cheguei.”


Artur Tavares

Com passagens pela Rolling Stone Brasil, MTV e o programa CQC, da TV Bandeirantes, Artur Tavares hoje é editor das revistas Carbono Uomo e Corriere Fasano. Não é bem um especialista em bebidas, mas é ótimo de copo.

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