Por Artur Tavares

Premiada mundialmente, destilaria brasileira coloca seu segundo rótulo no mercado

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Novo gim brasileiro com 51% de teor alcoólico (Foto: divulgação)

A destilaria brasileira Amázzoni está lançando neste mês de junho seu segundo gim. Com um lindo rótulo preto e de enorme potência, o Rio Negro promete estrear uma nova onda nacional da bebida. Trata-se de um marco por diversos motivos. É a segunda vez que um gim feito por aqui excede 50% de graduação alcoólica – o Rio Negro tem 51% –, e é feito por meio de dois diferentes processos de destilação, cruzados na produção: o de infusão separada e o pot still, onde alguns dos insumos sólidos são colocados diretamente dentro do alambique para elevar o sabor.

“Foi um trabalho feito em conjunto com diversos bartenders brasileiros”, conta Alexandre Mazza, artista plástico e um dos sócios da marca. “A cada visita que organizávamos à nossa destilaria, testávamos algumas receitas diferentes. Sobraram quatro finalistas, e uma delas virou o Rio Negro.” O resultado foi tão bom que, mesmo antes do lançamento oficial, a bebida ganhou duplo ouro na San Francisco World Spirits Competition, um dos campeonatos mais importantes da categoria.

A proposta do Rio Negro segue a linha de seu irmão de rótulo transparente (deveríamos começar a chamá-lo de Solimões, talvez?), com uma fórmula que privilegia botânicos brasileiros na formulação. Mas, no Amázzoni original, cacau, castanha do pará, louro e aroeira vão infusionados no álcool tridestilado antes da destilação, cada um com um tempo e maceração diferentes, a fim de obter um sabor mais suave. “Desta vez, além de jogar os botânicos sólidos no alambique, estamos usando cinco vezes mais zimbro, chegando a tons mais próximos dos gins London Dry”, explica Mazza.

Aqui, vale uma nota. Quando os primeiros gins nacionais surgiram, há cerca de três anos, algumas características os diferenciavam dos europeus. Havia a adição de ingredientes nacionais, como caju e até mesmo cachaça, além de uma diminuição no teor alcoólico. A título de comparação, os três gins britânicos mais famosos por aqui, Tanqueray, Bombay Sapphire e Beefeater, têm 47% de graduação alcoólica, enquanto Amázzoni tem 42%. Como as experiências brasileiras todas levavam zimbro, ainda entravam na categoria de London Dry, ainda que mais suaves: “Somos um país quente, que não tinha costume de consumir drinques como o Dry Martini ou o Negroni. Precisávamos de gins que caíssem bem em coquetéis com frutas e outros insumos mais leves”, diz Mazza. “Com o Rio Negro, bartenders conseguirão dar mais presença do gim em suas criações, e de fato o novo produto se apresenta como uma experiência super premium voltada para um mercado mais maduro.”

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Destilaria Amázzoni (Foto: divulgação)

O que temos no Rio Negro, então, é uma bebida que vai agradar os experientes quando o assunto é gim, com notas de zimbro, limão siciliano e mexerica bastante presentes, mas que continua chamando atenção devido à untuosidade do cacau e da castanha do pará – as duas oleaginosas garantem suavidade à leve picância da aroeira.

Tudo isso, é claro, também visa o mercado internacional. Nascida há dois anos na cidade de Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, a Amázzoni ganhou em 2018 o prêmio de melhor produtor artesanal de gim do mundo no tradicionalíssimo World Gin Awards, concurso especializado na bebida. Desde então, a marca alcançou os mercados de Portugal, Itália, Luxemburgo, chega na Inglaterra em setembro, e já olha com carinho para os Estados Unidos, onde o Rio Negro foi sucesso absoluto. “O Brasil é um país muito atrativo no exterior, todos nós ‘gringos’ gostamos dele. Com produtos de excelência, o potencial de abrir mercado lá fora é altíssimo. Sentimos isso na minha Itália, onde estamos distribuindo há mais de um ano e meio com resultados excelentes, algo que nos incentivou a dar maior foco em exportação”, diz o arquiteto Arturo Isola, italiano e outro sócio da Amázzoni. “Sem contar o prazer de viajar com nossa marca, que traz um grande orgulho de levar o Brasil para fora.”

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Arturo Isola e Alexandre Mazza, sócios da Amázzoni (Foto: divulgação)

Para completar o pacote, os fundadores da Amázzoni também assinam a criação de uma marca de águas tônicas, chamada Yndiá, com lançamento marcado também para este mês. Mais naturais, elas não têm conservantes, e um teor reduzido de açúcares em relação ao que o mercado brasileiro está acostumado a consumir. Sai em duas versões, Yndiá Clássica e Yndiá Extra Dry, esta com apenas 28 calorias. Mais um passo para consolidar a maturidade do universo da coquetelaria no país.

 


Artur Tavares

Com passagens pela Rolling Stone Brasil, MTV e o programa CQC, da TV Bandeirantes, Artur Tavares hoje é editor das revistas Carbono Uomo e Corriere Fasano. Não é bem um especialista em bebidas, mas é ótimo de copo.

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