Linhas e curvas paulistanas: a arquitetura conta a história de São Paulo. Foi necessário muito barro, pedra e concreto para fazer SP ser o que é hoje: a maior cidade da América do Sul. Da primeira construção levantada em taipa de pilão pelo grupo de jesuítas em 1556 – da qual ainda resta uma parede exposta no Pateo do Collegio (grafia antiga) no centro da cidade – São Paulo cresceu e se abriu para diferentes estilos arquitetônicos ao longo de sua história

Por Ana Saad e Arthur Simões do SP Birô, de roteiros exclusivos pela capital paulista*

Catedral da Sé (foto Arthur Simões)

Muitos dos marcos arquitetônicos da capital paulista estão de pé e abertos a visitação, antigos e modernos. O centro concentra as linhas antigas, mas não ache que são tão antigas assim, pois São Paulo também se graduou na arte de colocar o antigo abaixo e refazer tudo do zero. Do triângulo histórico, Catedral da Sé, Pateo do Collegio e Igreja de São Francisco, tudo foi refeito algumas vezes conforme a cidade crescia e ganhava importância.

A construção atual da Catedral da Sé é do século XX – apesar das linhas góticas que remetem à Idade Média europeia – e só foi finalizada em 1967, mais de 50 anos após o início da construção. É a terceira e mais imponente construção no mesmo local, levantada numa época em que São Paulo queria mostrar sua força. Perto dali está a Igreja de São Francisco, a que menos mudou com o tempo e conseguiu manter as linhas barrocas que ganhou numa reforma em meados do século XVIII.

O Pateo do Collegio é um caso curioso. Berço da maior cidade brasileira, o prédio atual não é o mesmo que foi construído por Manuel da Nóbrega e Anchieta em meados do século XVI. A atual construção foi finalizada apenas em 1979 e é mais jovem que muita gente em São Paulo. O grande prédio criado pelos jesuítas para ser igreja, escola e morada de religiosos virou palácio do governo de São Paulo logo após a expulsão da Companhia de Jesus do Brasil em 1759. Já como sede do governo paulista, aos poucos o prédio foi alterado, governo após governo, até que no início do século XX quase nada da construção original restava.

O retorno da construção original só ocorreu próximo ao aniversário de 400 anos de São Paulo por pedido da população. O local foi devolvido à Companhia de Jesus, que se comprometeu a reconstruir o prédio de acordo com os registros da construção original.

Para quem visita o Pateo do Collegio, vale a parada no Café do Pateo, também sob o comando da Companhia de Jesus, que serve ótimos cafés, chocolates e bolos durante o dia. Ali é possível sentar ao lado do mais antigo pedaço da cidade, um muro de taipa de pilão de 1556, descoberto quando colocavam o antigo prédio do governo abaixo.

Pateo do Collegio (Foto: Arthur Simões)

Ao redor dessas construções a cidade se desenvolveu e cresceu. Veio o Mosteiro de São Bento, cuja atual construção tem estilo germânico, como seu arquiteto, Richard Berndl, e interior desenhado de acordo com os critérios da escola beneditina de Arte de Beuron, cujo objetivo é despertar uma experiência religiosa em seu observador. Experiência que pode ser melhor apreciada nas missas com canto gregoriano que acontecem na igreja. Aos domingos, às 10h, além do canto, o órgão também entra em cena numa atmosfera tomada pela fumaça do incenso.

Mosteiro São Bento (foto Arthur Simões)

O Mosteiro e a Basílica além impressionantes, contam com uma padaria de dar inveja a muito padeiro. Segundo a filosofia beneditina Ora et Labora (“oração e trabalho” em tradução livre) o monge não deve apenas se dedicar à prática religiosa, mas deve também colocar a mão na massa. O Mosteiro de São Paulo não foge à regra e seus monges fazem excelentes pães, bolos, biscoitos e geleias. Fora isso, é possível entrar na fila do concorrido brunch servido pelo Mosteiro todo último domingo do mês.

Os imperdíveis brunches na Catedral da Sé e no Mosteiro de São Bento

Para quem quer provar receitas tradicionais, próximo ao Mosteiro está a portuguesa Casa Matilde, especializada em doces lusitanos, entre eles o famoso pastel de nata ou Pastel de Belém. Sua localização é estratégica, está à frente do Edifício Martinelli, um dos primeiros arranha-céus do Brasil, construído na década de 1920 em estilo clássico. Com uma longa história de altos e baixos, hoje o prédio pertence ao Estado e tem sua cobertura aberta à visitação. Sem dúvida uma das melhores vistas do centro de São Paulo.

Quando o assunto é vista, o prédio ao lado, Altino Arantes, antigo Prédio do Banespa ou Farol Santander, como é conhecido hoje, também oferece um excelente mirante de seus andares mais altos. Assim como o Martinelli, por alguns anos ele já foi o edifício mais alto do Brasil. Após ficar fechado para uma longa reforma, reabriu com um novo nome e conceito, o Farol Santander é um centro cultural do banco Santander. Em seu mirante, no 26º andar, é possível relaxar e tomar um café vendo a cidade que parece não ter fim.

De volta à rua, numa caminhada de alguns minutos, é possível chegar à Praça do Patriarca – homenagem a José Bonifácio, o patriarca da independência do Brasil – onde o passado encontra o presente. Em frente à Igreja de Santo Antônio, uma das mais antigas de São Paulo, está o pórtico de Paulos Mendes da Rocha, uma grande estrutura metálica que coloca o passado e o presente num mesmo lugar. Dali é possível ver o Viaduto do Chá pairando sobre o Vale do Anhangabaú. Do outro lado o centro novo e muito mais história, mas isso é assunto para um outro texto.

Vale do Anhangabaú (Foto: Arthur Simões )

O centro de São Paulo é um dos lugares que a SP Birô adora visitar. Para conhecer melhor São Paulo e mergulhar em sua história entre em contato pelo site www.spbiro.com ou e-mail [email protected]

 

Posts relacionados