Inhotim, na cidade de Brumadinho (67 km de Belo Horizonte), em Minas Gerais, é um museu a céu aberto, com dezenas de galerias de arte espalhadas em um gigantesco espaço. Para chegar lá, é necessário pegar um ônibus da Rodoviária de Belo Horizonte (cerca de 1h30 de viagem) ou dirigir até a entrada do parque.

Compre seu ingresso pela internet para poder chegar sem preocupações e garanta também o transfer (de carrinho de golfe, que custa R$ 28, além do ingresso, R$ 44, inteira) para circular entre as atrações do parque. Esse roteiro que mostramos abaixo seguem as rotas recomendadas pelo parque. Mas, se possível, indicamos que vá em mais de um dia para conseguir apreciar com calma todos os pavilhões, galerias e jardins. Porém, se tiver que fazer tudo em apenas um dia, confira o roteiro e aproveite esse paraíso para amantes de arte.

O Jardim de Narciso (Narcissus Garden), de Yayoi Kusama (JAP) – 2009
500 esferas de aço inoxidável flutuam sobre o espelho d’água do Centro Educativo Burle Marx. Reflete, além do espectador, paisagem do céu, água e vegetação. Fica logo na entrada do parque! É uma versão repaginada da obra apresentada em 1966 na Bienal de Veneza, que ironizava: “Seu narcisismo à venda”.

Som da Terra (Sonic Pavilion), de Doug Aitken (EUA) – 1968
Pavilhão sônico é uma obra site-specific desenvolvida a partir de uma ideia pré-existente e resultado de um processo de cinco anos, entre pesquisa, projeto e construção. A obra traz um furo de 200 metros de profundidade no solo para nele instalar uma série de microfones e captar o som da Terra. Este som é transmitido em tempo real, por meio de um sofisticado sistema de equalização e amplificação, no interior de um pavilhão de vidro, vazio e circular, que busca uma equivalência entre a experiência auditiva e aquela com o espaço.

De lama lâmina (Iglo), de Matthew Barney (EUA) – 2009
A escolha pela mata afastada do núcleo do parque abre a leitura da obra para o campo da ecologia e reflete a preocupação ambiental do artista. A coexistência entre um plano exterior e um interior é elemento fundamental. Do lado de fora, em um cenário aparentemente inacabado, a devastação e o sublime se instauram. Do lado de dentro, o espaço é tomado pela máquina, construção humana que ergue uma escultura que representa uma árvore. Usado na performance e nas filmagens, o trator, aqui desprovido de todas as suas funções, é transformado em uma grande escultura “congelada” num instante de instabilidade.

Galeria Fotográfica de Claudia Andujar (SUI)
Reúne mais de 500 fotografias que contam a história de seu longo envolvimento com a Amazônia brasileira e o povo indígena Yanomami, habitantes dos Estados de Roraima e Amazonas, na região próxima à fronteira com a Venezuela. Divididos por blocos, três temas organizam a exposição das imagens: “A terra” (paisagens); “O homem” (rituais xamânicos, no cotidiano, na casa e na floresta) e “O conflito” (frentes de contato com os brancos).

Beam drop, de Chris Burden (EUA) – 2008
Recriação de uma obra realizada originalmente em 1984, no Art Park, em Nova York, e destruída três anos depois. A obra foi refeita pela primeira vez em Inhotim em 2008, depois de ter subsistido apenas como documentação por mais de 20 anos. Em uma ação que poderia ser descrita como performática, durante 12 horas um guindaste de 45 metros de altura lançou em uma poça de cimento fresco as 71 vigas que compõem a obra.

Piscina, de Jorge Macchi (ARG) – 2009
Jorge Macchi produz aquarelas que retratam objetos banais reimaginados em situações surrealistas, refletindo diferentes estados psicológicos. Pela primeira vez em forma tridimensional, o artista criou Piscina, que é a realização escultórica de um desenho que o artista fez de uma caderneta de endereço com índice alfabético, aqui transformada em uma obra site-specific que é também uma piscina em funcionamento. Dá para tomar banho e tudo… Só não esqueça de levar sua toalha.

Pavilhão Tunga e Galeria True Rouge (BRA)
Nesses dois espaços, Tunga retrata seu imaginário exuberante, com desenhos, esculturas, projeções, instalações etc. Em seu pavilhão, o artista pernambucano usa cobre, aço e imã, limalha de ferro, vidro soprado, luz, seda, papel e mais para dar vida às obras. Na galeria que leva seu nome, o vermelho é quem comanda a obra.

Galeria Adriana Varejão (BRA)
Na entrada, Panacea phantastica (2003-2007), um conjunto de azulejos que retratam 50 tipos de plantas alucinógenas de diversas partes do mundo. O azulejo, um dos motes recorrentes de Varejão, reaparece em Linda do Rosário (2004) e em O colecionador (2008). O primeiro é uma das mais importantes obras da série Charques (onde matéria de construção se torna carne). A obra foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, em 2002, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal.

Cosmococa, de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida (EUA) – 1973
À época em que residiu em Nova York, no início dos anos 1970, Hélio Oiticica trabalhou em parceria com o cineasta Neville D’Almeida na criação de instalações pioneiras chamadas de “quasi-cinemas”. Estas obras transformam projeções de slides em instalações ambientais que submetem o espectador a experiências multisensoriais. Aqui, essa dupla criou cinco Blocos-Experiências.

Foto: Shutterstock

Troca-troca, de Jarbas Lopes (BRA) – 2002
Três fuscas coloridos, com latarias permutadas entre si, têm sistema de som que os interliga. Eles fizeram uma viagem do Rio de Janeiro a Curitiba, em 2002, onde ficaram expostos no MAC do Paraná. Em 2007, após passarem por restauro, os carros ganharam a estrada novamente, dessa vez de Belo Horizonte a Brumadinho, onde ficaram bons anos no jardim do parque. Pena que com o passar do tempo perderam cor e ganharam amassados. Mas ano passado eles foram reformados e ganharam casa nova, desta vez coberta.

Invenção da cor (Penetrável Magic Square), de Hélio Oiticica (BRA) – 1977
Essas paredes fazem parte de um grupo de seis trabalhos que se articulam em torno da praça e do quadrado, já que em inglês a palavra “square” tem os dois significados. Estas obras são propostas de edificações ao ar livre, que o artista não chegou a executar em vida e cujas instruções de realização foram minuciosamente anotadas por ele em textos, plantas, desenhos técnicos, diagramas, maquetes e amostras.

Foto: Shutterstock

Três esculturas de bronze (sem título) – Edgard de Souza
As esculturas são parte de uma série em bronze fundido, que inclui outras peças e foi desenvolvida pelo artista ao longo da década de 2000. Representam uma figura masculina nua baseada no corpo do próprio artista e poderiam ser consideradas autorretratos, não fosse a ausência do principal elemento de identificação de um retrato: o rosto.

BÔNUS
Ufa, deu tudo certo e conseguiu chegar até aqui… Que bom! Se ainda tiver tempo, não deixe de conferir a Galeria Cildo Meireles, com uma sala todinha vermelha, uma outra com elementos em vidro (muitos cacos no chão, que é possível adentrar na obra). Seu trabalho pioneiro no campo da arte da instalação prima pela diversidade de suportes, técnicas e materiais, apontando para questões mais amplas, de natureza política e social. Esse, não deu tempo de ver, mas está nos nossos planos: A Origem da Obra de Arte, de Marilá Dardot. É um jardim, cujos tijolinhos vermelhos preenchidos com grama você forma palavras e frases. Com certeza você já viu em alguma foto do Instagram!


Fotos: André Aloi/Acervo Pessoal / O jornalista visitou o parque a convite de Inhotim.

Se você é como a gente, que gosta de ir para os lugares e experimentar a gastronomia local, não deixe de ler:

Vale a pena comer nos restaurantes de Inhotim, em Minas Gerais?

 

SERVIÇO
Funcionamento: Terça, quinta, sexta, sábado, domingo e feriado: R$ 44 (inteira); quarta-feira (exceto feriado): entrada gratuita*; fechado às segundas-feiras. Confira as orientações no site, assim como o direito à meia-entrada.

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