Um deserto cheio de possibilidades. Assim é o Deserto do Atacama, no norte do Chile, uma região lotada de passeios, expedições e paisagens que deixam qualquer um deslumbrado 

O Deserto do Atacama é um convite à contemplação. As paisagens modificam a cada expedição surpreendendo até os mais viajados. O silêncio, a natureza, o esforço físico, a ausência de 3G/ Wi-Fi te levam a uma introspecção natural, onde precisa lidar com seus medos, seus limites e escutar seu corpo. São inúmeros os passeios disponíveis no Deserto do Atacama e é importante se programar para aproveitar ao máximo os dias na região. Confira abaixo os imperdíveis para quem visita o destino pela primeira vez. 

termas puritama atacama
Termas de Puritama, Atacama (Foto: acervo pessoal)

Termas de Puritama 

Uns dos mais populares passeios do Deserto do Atacama são as Termas de Puritama. A 3,5 mil metros de altitude em uma área preservada pelo Explora de 8 mil hectares é um verdadeiro oásis no Deserto. São oito piscinas, sendo uma exclusiva para os hóspedes do hotel Explora Atacama. Para chegar, uma trilha de quase três horas por um cânion formado por pedras vulcânicas (leia-se muitos desníveis, pedras e descidas por um terreno bem difícil), mas no final o visitante é premiado pelas águas quentes das Termas de Puritama com temperatura entre 30° e 35°C. Pode ir de carro, para quem não quer enfrentar a aventura, mas é recompensadora a caminhada – fora que as paisagens são lindas.

Caso esteja hospedado no Explora Hotel um piquenique e estrutura de vestiários e roupões te espera. Quem vai por conta, é necessário contratar um guia para fazer a caminhada e pagar a entrada – que também dá direito ao vestiário. No Explora, assim como muitos hotéis luxuosos, como o Tierra Atacama, o passeio é incluído na diária.

Salar do Atacama

A imensidão do Salar do Atacama é impactante, localizado dentro da Reserva Nacional Los Flamencos, calcula-se que ele ocupe uma área de 3 mil quilômetros quadrados localizada em uma depressão formada de um lado pela Cordilheira dos Andes e, do outro, pela Cordilheira de Domeyko. Há desde passagens planas até partes em que o sal se concentra em estruturas que podem medir mais de meio metro. Por estar numa área de preservação, é preciso respeitar uma rota pré-estabelecida para caminhar pelo Salar do Atacama e observar os vários tipos de animais que circulam por ali. Se você tiver sorte, os flamingos estarão brincando na lagoa que existe no local e também são um espetáculo à parte. 

Recomendamos ir no final do dia e apreciar o pôr do sol. Assim que o entardecer começa o céu se transforma numa explosão de cores que se refletem tanto no Salar do Atacama quanto na Laguna Chaxa. É um espetáculo! Um sugestão é fazer esse passeio no primeiro ou segundo dia de viagem, por conta da altitude e por não exigir que caminhe muito. 

Salar do Atacama (Fotos: Tina Bornstein)
Salar do Atacama (Fotos: Tina Bornstein)

Altiplanos Chilenos 

O passeio é longo…são 2h30 de carro para chegar aos Altiplanos chilenos, mas garantimos que vale muito a pena! Como fica a 4,5 mil metros de altitude é recomendado deixar esse passeio para os últimos dias de viagem. O caminho até lá já é incrível e a medida que vamos subindo a vegetação se transforma completamente por conta do degelo das Cordilheiras do Andes que hidrata o solo. Uma parada no pequeno vilarejo de Socaire, onde uma pequena lojinha vende artesanatos locais, e outra no Salar de Aguas Caliente, onde venta muito, mas a paisagem compensa o frio. 

Laguna Miscanti, Atacama (Foto: Tina Bornstein)
Laguna Miscanti, Atacama (Foto: Tina Bornstein)

Depois é seguir para a Laguna Miscanti, que faz qualquer um perder o fôlego não só pela altitude, mas também pela beleza. Um azul que chega a ofuscar a visão com o extinto vulcão Miscanti ao fundo. A Laguna Miscanti tem 15km de extensão e e é separada da Laguna Miñique por uma distância de cerca de um quilômetro, que pode ser feita de carro ou a pé – uma caminhada tranquila que vale a pena. 

Quando chegar à Laguna Miñique se prepare para mais um choque de tanta beleza, também com outro extinto vulcão ao fundo. Ali é onde muitas empresas oferecem café da manhã, almoço ou lanche montado no melhor estilo piquenique. Inesquecível! 

Valle de La Muerte ou Valle de Marte

Vale de la Muerte, Atacama (Foto: Tina Bornstein)
Valle de la Muerte ou Valle de Marte, Atacama (Foto: Tina Bornstein)

Com diferentes formações rochosas, dunas e beirando a Cordilheira do Sal, uma expedição no Valle de La Murte ou também chamada de Valle de Marte é uma boa maneira de começar os passeios no Atacama. 

O Valle de La Muerte é recheado de formações montanhosas de alturas distintas que foram esculpidas por séculos de erosão eólica. Maravilhoso! Do alto do Valle de La Muerte é possível observar o vulcão Licancabur e assistir ao pôr do sol.

Para finalizar o passeio, uma enorme duna de areia aguarda os visitantes. Aqui é importante ir com tênis com cano mais alto ou que prenda bem o pé. Além disso, tem muito vento e, claro, muita areia, ou seja, óculos de sol é obrigatório para conseguir manter os olhos abertos. 

No final do passeio – dependendo do hotel que estiver hospedado ou com quem fechou o programa – um lanche é oferecido com frutas, queijos e pães. 

Outros passeios incríveis

Os quatro passeios citados acima são os mais famosos e aqueles “tem que fazer”, mas o Deserto do Atacama oferece uma infinidade de opções. Outros que indicamos:

Gêiseres Del Tatio: localizados a 4.300 metros de altitude, é necessário acordar bem cedinho para esse passeio (mais ou menos às 5h) e seguir 1h30 de carro ao longo da Cordilheira dos Andes, onde o cenário muda completamente, com mais vegetação rasteira, mangues, mais animais (flamingos, pássaros e vicunhas). Uma região com milhares de gêisers, um espetáculo! A água expele a mais de 80ºC em pleno Deserto do Atacama. Para amenizar o frio que faz na região – vá muito agasalhado e com roupa térmica – os hotéis como Explora e Tierra e muitas agências que fazem o tour oferecem um café da manhã com bebidas quentes. 

geisers tatio atacama
Gêisers Del Tatio, Atacama (Foto: Tina Bornstein) 

Valle de La Luna: a caminhada de Kari, que começa no topo do Vale da Lua, na Pedra do Coyote, é um passeio inesquecível, porém puxado! Precisa de uma certa preparação física para aguentar. Logo no início tem que descer uma gigantesca duna e adentrar os cânions de sal, que conferem a paisagem lunar. No meio do cânion é possível ver a marca do sal e minerais no chão, onde no período de cheia corre o leio do rio. Desce duas cachoeiras de sal, passa por uma caverna e um cânion estreito onde não é aconselhado a ficar embaixo das pedras muito tempo, afinal elas podem se mover. Enfim, é puxado, mas Kari é uma das mais lindas expedições! Esta caminhada é feita em uma área de reserva onde apenas alguns hotéis tem autorização para desbravar (Tierra e Explora têm). Foram quase três horas do local apenas para o nosso pequeno grupo, de cinco pessoas. As fotos e vídeos não retratam a beleza deste lugar, nem de perto. Talvez porque todo mundo tenha que ver ao vivo um dia. 

Valle de La Luna, Atacama (Fotos: Tina Bornstein)
Valle de La Luna, Atacama (Fotos: Tina Bornstein)

Ver as estrelas: por suas características geográficas e climáticas o Atacama é um dos melhores lugares do mundo para observar o céu. Por isso, fazer um tour astronômico vale a pena! No Explora eles possuem um telescópio próprio, dentro da propriedade, mas outros hotéis e operadoras de turismo também oferecem a experiência que é muito bacana. 

O que levar para o Deserto do Atacama

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