Renomado chef, Thiago Castanho interpreta clássicos da cozinha paraense com um jeito só seu. A base da cozinha está nos produtores que ele cultiva: vai desde as mulheres que lhe fornecem cacau, na ilha do Combu, ao frescor de seus ingredientes, que vêm também do mercado popular Ver-o-peso, na capital Belém. Sua culinária é baseada em ingredientes típicos, como o próprio cacau, o jambu (uma erva com propriedades analgésicas, que adormece a boca), o tucupi (um caldo, subproduto da mandioca), os peixes e as frutas.

Belém, Pará – Visitar a capital belenense e não conhecer um dos restaurantes de Thiago Castanho (ao lado do irmão Felipe) parece uma afronta para os foodies de plantão. Afinal, quem mais tem a cara da gastronomia local, que não o chef, que vez ou outra aparece em nossas casas pela TV? Seu legado na gastronomia começou com seu pai, vendendo pizza aos vizinhos. Seu Chicão, inclusive, é o grande incentivador dos filhos, que hoje mantêm o Remanso do Bosque (inaugurado em 2011, que visitamos e seguimos falando nesse texto), o Remanso do Peixe e um laboratório que estuda técnicas locais e (re)inventa os pratos.

Cercado de jardins de inverno, a ambientação do Remanso do Bosque começa na espera, que mantém uma mercearia com produtos locais (um incentivo aos produtores que ajudam Thiago a manter seu império de pé), como doces em pote, azeites, farinha, cervejas, cachaças e mais – logo na entrada. Também é possível esperar no bar, onde receitas de drinks clássicos recebem a mão local. É o caso da Tacacachaça (R$ 25), que leva uísque Boubon, cachaça de jambu, maracujá, limão taiti, syrup e clara, com sabor frutado, refrescante, mas com paladar de leve dormência. Ou o Moca Mule (R$ 29), preparado com vodca, manga, limão siciliano e espuma de Angostura, de sabor cítrico, refrescante e, ao mesmo tempo, picante. Cervejas, vinhos e drinks complementam a carta.

“Park buns” de tapioca com barriga de porco (Foto: André Aloi)

Instalado na mesa, dá vontade de mandar descer todo o cardápio completo. Os highlights da entrada são a linguiça artesanal de maniçoba (R$ 38), “park buns” de tapioca com barriga de porco (R$ 26) e guiosas de carne com jambú (R$ 32). Vamos usar aquele clichê para tentar decifrar o gosto: explosão de sabores! O bolinho de vatapá com aviú (R$ 28, 6 unidades) também é gostoso, mas não essencial. Não foram nossas escolha da vez, mas ainda há opções de torresminhos (conhecidos como “pipoca”), beijus servidos como bruschetta, dadinhos de tapioca e camarões empanados. Difícil de ter algo ruim!

Filhote Assado na Brasa, que vem com a anotação “clássico” (Foto: André Aloi)

O cardápio principal oferece pratos que poderiam estar em qualquer restaurante Michelin do mundo, mas por conta dos seus ingredientes só podem ser servidos ali. Não à toa, o chef foi taxado como “alquimista” pelo jornal americano “New York Times”. Thiago estudou gastronomia no interior de São Paulo e voltou para sua terra-natal para aplicar as técnicas ao seu bel prazer. Seu carro-chefe é o Filhote Assado na Brasa, com a anotação “clássico” (R$ 132). Acompanha salada de feijão caupi, macaxeira na manteiga e farofa.

Burger na Parrilla, servido com queijo marajó no pão brioche e picles de cebola roxa (Foto: André Aloi)
Tambaqui do Amazonas com purê de abóbora e tropeiro de feijão caupi (Foto: André Aloi)
Mousse de chocolate com crumble de chocolate do Combu e doce de cupuaçu (Foto: André Aloi)

O peixe tambaqui do Amazonas com purê de abóbora (R$ 75) é outra delícia. Se você vai com muita gente (nosso caso), é legal pedir pratos diferentes para conhecer de tudo um pouco. Se você não quiser se embrenhar pela cozinha paraense, o sanduíche de pastrami curado e defumado na casa (R$ 36) pode ser uma refeição rápida e certeira porque o paladar é surpreendente. Mas o Remanso Burger na Parrilla (servido com queijo marajó no pão brioche e picles de cebola roxa, R$ 22) é outra saborosa opção para quem tem o paladar mais infantil e não gosta de arriscar, muito menos sair de sua zona de conforto. Mil vezes melhor do que qualquer rede de fast-food!

Além das carnes, peixes e aves, o restaurante tem uma seção reservada aos vegetarianos. Quando visitamos, havia duas opções. Vale lembrar que não experimentamos estes, mas tendo experimentado boa parte do cardápio, é possível dizer que o paladar não será agradável: moqueca de vegetais com banana da terra ao curry e quiche sem massa de vegetais assados ao forno com queijo (R$ 38 cada).

Para encerrar a experiência gastronômica, a sobremesa mais icônica de lá é o que eles chamam de “Jardinagem”: um mousse de chocolate (R$ 20) com ribs de cacau, crumble de chocolate do Combu e doce de cupuaçu, servido em um vasinho de barro e a colher para se deliciar é uma pá de jardineiro. Um charme! Se essa experiência toda não te convenceu, melhor pedir o “brownieoca” branco (R$ 22), um bolo quente de macaxeira com chocolate branco, bacuri fresco, castanha do Pará fatiada e creme inglês de baunilha. Há ainda panna cotta de baunilha, crumble de banana e uma versão de O Bacuri versão sugar free (com adoçante, chips de macaxeira e sagu de hibisco (R$ 20, em média). Reserve antes de ir! Dependendo da época do ano (em especial a do Círio de Nazaré, em outubro), a fila vai ser grande e/ou não vai ter lugar!

Foto: Octavio Cardoso/Divulgação

Remanso do Bosque Restaurante – Av. Rômulo Maiorana, 2350 – Marco, Belém / Telefone: (91) 3347-2829


*O repórter viajou a convite da Secretaria de Turismo do Governo do Pará com a finalidade de promover o Círio de Nazaré. Quem cuidou do receptivo foi a agência Boeing e nossa guia durante a estadia foi Amanda Coimbra (@guiadebelem).

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