DJ Nicolas Abe foi convidado para tocar numa balada LGBTQI em Moscou e relata sua experiência

Nicolas Abe no comando das pick-ups da festa On Top (Foto: Divulgação)

“O convite para comandar uma balada na Rússia aconteceu pelo Instagram. O Alexey, meu contratante, veio falar comigo e me chamou para tocar em sua festa em Moscou, a On Top Party. Ele é frequentador da noite paulistana e, pelo o que me disse, me viu tocar algumas vezes, em especial no Club Yacht, onde sou residente. Daí surgiu o interesse pelo meu trabalho.

Com o convite vieram muitas perguntas. Afinal de contas, a Rússia é um país com fama de ser homofóbico. Como que eu, um DJ gay paulistano, que adora sair com visuais montados iria para lá? Como eu iria me vestir? Será que é perigoso? Será que as festas são “escondidas”? Claro que procurei saber mais. Me disseram que os gays não andam de mãos dadas e nem se beijam nas ruas, mas a minha segurança não estaria em risco nas ruas da cidade.

Nicolas Abe : selfie com fã russo (Foto: Divulgação)

É tudo muito normal ao contrário do que pensamos sobre a Rússia aqui no Brasil. Nas ruas e nos lugares que visitei não me senti em nenhum momento sendo julgado ou hostilizado. Os gays não demonstram afeto em público e eu acredito que isso não incomode eles. Acredito que seja algo mais cultural do que opressor essa coisa de não beijar ou não andar de mãos dadas em locais públicos. Perguntando e falando sobre este assunto por lá, disseram que em Moscou você não sofrerá preconceito, mas em cidades mais distantes, rola discriminação, sim.

Na On Top Party percebi alguns meninos maquiados, com olhos feitos. Outros vestiam paetê. Me senti em casa. Na balada, percebi que os russos são carinhosos, vieram falar comigo, me cumprimentar e tirar muitas fotos. Além do pop, eles adoram música latina. Anitta e Pabllo Vittar fizeram sucesso na minha pista!

Existe sim muito o preconceito e diferentes realidades sobre a cena gay ao redor do mundo. Acho que em cada lugar tem as delícias e as dificuldades. Em Moscou, o que posso falar, é isso: o comportamento está ligado à cultura. Pelo menos nenhum gay que conheci reclamou de opressão. Acredito que os brasileiros sejam mais militantes e está tudo bem.”

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