A França é berço de maisons que mudaram o rumo da moda e são detentoras de incalculável prestígio, seja por suas criações revolucionárias, por seus designers com dons de artista ou por ainda inspirarem o circuito fashion mundial, mesmo décadas após serem fundadas. Quais são essas marcas?

Balenciaga: Cristóbal Balenciaga é, na verdade, espanhol, mas foi em terras francesas que fez história. O estilista passou metade da sua vida entre linhas e agulhas e começou sua carreira como designer de moda e empresário em San Sebastian, o que lhe deu experiência pessoal, profissional e comercial para abrir sua primeira loja em Paris, em 1936, no número 10 da Avenida George V, onde hoje é a loja principal da marca. Assim, as francesas da década de 1940 foram agraciadas pelas elegantes formas e volumes que colocaram a casa entre as prediletas da alta sociedade francesa e o designer como referência da moda feminina mundial. 

Cartier: a história da joalheria começa em 1847 quando Louis-François Cartier assume a pequena oficina de joias de Adolphe Picard, seu mestre, no número 29 da Rue Montorgueil. Nasce a Maison Cartier! O designer ainda não sabia, mas surgia ali uma das mais luxuosas grifes de relógios e joias do mundo. Nos anos seguintes, o artista fornecia joias para a Corte Real e, em 1904,  criou um dos primeiros relógios de pulso do mundo. O sortudo a receber esse presente foi o aviador brasileiro Alberto Santos Dumont, que, finalmente, pode ver as horas em pleno voo. A maison é sinônimo de luxo e tem suas belíssimas criações desejadas por homens e mulheres dos quatro cantos do mundo.

Chanel da Rua Cambon, em Paris (Foto: reprodução site)

Chanel: Gabrielle Chanel nasceu em 19 de agosto de 1883 em Saumur, França. Mundialmente conhecida como Coco, criou, à sua maneira, um estilo através de sua marca, que marcou, definitivamente, um ponto de virada para a sociedade e, acima de tudo, uma libertação para as mulheres. Inseriu ao guarda-roupa peças antes vestidas somente por homens, como a calça e o blazer. Hoje, é uma das marcas mais emblemáticas e reconhecidas da indústria da moda. O número 31 da Rua Cambon foi onde Coco Chanel fez história na capital francesa. A bela casa foi residência da estilista, abrigou grande parte de seus desfiles e é lá que fica a icônica escada espiral espelhada, que fez história nos desfiles da Chanel, onde Coco Chanel espiava seus desfiles. O seu apartamento é fartamente decorado, tem vários símbolos, como o icônico CC, a flor de camélia e muitos presentes e fotos. Nós visitamos, as fotos não podem ser divulgadas, mas podemos dizer que o apartamento tem a cara da marca: sofisticado, ornamentado na medida e cheio de personalidade. Hoje é onde concentra grande parte de seu legado fashion. 

Dior: 12 de fevereiro de 1947 é a emblemática data em que cruzou a passarela a primeira coleção feminina de Christian Dior, batizada de Carolle e que apresentou a revolucionária saia na altura do tornozelo, apelidada de New Look. A linha despertou fascínio e foi sucesso imediato, digna de aplausos. Dior deixou de lado as peças sisudas e cinzas, oriundas dos uniformes dos militares da Segunda Guerra Mundial, para colocar nas vitrines – e nas ruas – ombros arredondados, saias rodadas, vestidos fartos, com cintura bem fininha e ombros à mostra. A linha injetou novo fôlego de feminilidade à cena fashion e colocou a marca, e todo seu esplendor, no hall de desejos. Ainda hoje, a grife é uma das mais influentes do fascinante mundo da alta costura. Para visitar: vá ao número 30 da Avenida Montaigne, primeiro e atual endereço.

Givenchy: foi aos 24 anos de idade, em 1952, que Hubert de Givenchy inaugurou sua própria maison, localizada no número 8 da Rue Alfred de Vigny, na Monceau Plain. As mãos do designer desenharam peças de alto luxo, que davam elegância e requinte ao visual das francesas. Em 1953, o estilista conheceu sua verdadeira musa inspiradora, a atriz Audrey Hepburn, e passou a criar modelos para seus filmes, como Sabrina (1954), Cinderela em Paris (1957) e Bonequinha de Luxo (1961).

Givenchy Paris (Foto: Shutterstock)

Hermès: impossível falar em Hermès e não associá-la à elegância, luxo e cuidado. Tudo começou em 1837 quando Thierry Hermes abriu uma selaria com artigos de couro. As peças eram feitas com tanto esmero, que eram vendidas, por exemplo, para a aristocracia francesa. Em 1880 foi instalada uma bela loja no número 24 da rua Faubourg Saint-Honoré, época em que o filho do fundador assumiu os negócios e passou a vender também outros objetos, como bolsas, pochetes e sacolas. E, apesar de seu grande negócio ser peças feitas artesanalmente com couro, foram os lenços de seda com motivos equestres e a bolsa de couro em forma de trapézio, chamada “Kelly”, que levou a casa ao sucesso. A fama internacional da bolsa, aliás, merece ser contada: o acessório foi criado em 1935 e tinha alça curta e fecho em metal. O nome, adotado oficialmente em 1956, foi uma homenagem da marca à Grace Kelly, princesa de Mônaco.

Lanvin: é uma das casas de moda mais antigas de Paris. Foi fundada em 1889 por Jeanne Lanvin, que iniciou a sua carreira como aprendiz de costureira, depois foi chapeleira e, por fim, designer de roupas femininas e infantis, profissão alcançada graças ao nascimento de sua filha, Marguerite Marie Blanche, em 1897, primeira e eterna musa.

Louis Vuitton revolucionou o mercado das malas de viagem (Foto: reprodução site)


Louis Vuitton: o ano era 1854 e Louis Vuitton, fundador da marca, começou esse império como fabricante artesanal de malas e bolsas em Paris. Revolucionário, seu trabalho foi reconhecido na Europa, quando reinventou o formato das malas de viagem e seus fechos e criou um padrão de desenho diferente comparado ao que havia na época. Em 1896, inventou o monograma das letras “L” e “V”, junto com os símbolos que reproduzem flores. O monograma é usado até hoje e se tornou objeto de desejo. Em 1987, a Louis Vuitton uniu-se com a fabricante de champanhes Moët et Chandon e a fabricante de conhaques Hennessy para criar o grupo LVMH (Louis Vuitton – Moët Hennessy), empresa de bens de luxo.

Yves Saint Laurent: dois nomes são importantes serem citados para falar de Yves Saint Laurent: Christian Dior e Pierre Bergé. Após Dior falecer, em 1957, YSL, argelino de espírito francês, assumiu a direção criativa da sofisticada grife. Foi só em 1961 que Yves, com a ajuda do até então amigo Bergé, fundou a própria maison na Rue Spontini. Era o começo de uma marca gloriosa. Visionário, colocou a modernidade como um dos fundamentos da grife e criou peças práticas, mas com linhas muito sofisticadas. E inesquecíveis!

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