Se o seu roteiro de viagem inclui passeios turísticos, gastronômicos e históricos, anote cada dica abaixo. Ah, e se música é o que te move, também procure mais sobre a rica cena paraense. Nem só do gênero musical calipso vive aquela terra…

Ver-o-Peso
Mercado que funciona como o coração da cidade, Ver-o-Peso é uma feira que tem os principais elementos da cultura belenense. Os locais vão tomar café da manhã lá, por exemplo, com o tradicional açaí com peixe frito (bem distante do sabor adocicado que é servido no sudeste, com granola, guaraná e leite ninho). Além disso, os turistas encontram frutas e artesanatos, além de poder acompanhar o cozimento e embalo da maniva (planta que serve de matéria-prima para a maniçoba) e o preparo do tucupi (aquele líquido amarelo, extraído da mandioca, da famosa receita com pato). Ali também funciona um comércio de roupas, com temáticas regionais, como camisetas de times e frases conhecidas localmente, como as infinitas variações de “Égua”. Claro que não poderiam faltar barraquinhas com castanhas regionais, cheiros e pomadas – seja para arrumar marido e até curar dores de cabeça – à tradicional cachaça de jambu. Vá bem cedinho!

Linha de produção do tucupi: descasca a mandioca, ferve  e deixa cozinhando em uma panela bem grande (Foto: André Aloi)
Aqui, o tucupi jã foi cozido e embalado em garrafas PET para venda (Foto: André Aloi)

Av. Blvd. Castilhos França, s/nº – Comércio, Belém

Estação das Docas
Guardadas as devidas proporções, podemos dizer que a Estação das Docas é o Puerto Madero (originalmente em Buenos Aires, Argentina) de Belém. Localizado às margens da baía do Guajará, os armazéns – de ferro inglês, característicos do finzinho do século XIX – abrigam lojas de souvenir, roupas, restaurantes e sorveterias. Para quem tiver com fome (e até um pouco de pressa), nossa indicação é o restaurante Lá em Casa, com um bufê à vontade, com comidas tipicamente paraenses (R$ 75, em média, com sobremesas, mas sem bebidas), como salada de feijão manteiguinha, o arroz com jambu, o filé de filhote, o pato com tucupi e mais. A sobremesa a gente pulou por uma boa causa: experimentar o sorvete com a assinatura do Pará, a Cairu. Cada bola custa R$ 8, e o que tinham nos indicado era o Mestiço, mescla de açaí com tapioca. Sensacional! Mas eles também têm outros sabores da Amazônia, como muruci, mangaba, taperebá, cupuaçu, bacuri e uxi. 

Ainda nas Docas, aproveite para comprar o passeio fluvial “Orla ao Entardecer” (R$50), da Valverde Turismo. O roteiro é uma mescla de cultura amazônica (como o carimbó, o siriá e o retumbão), história e dança. Canções locais e interpretações sobre lendas (como a do boto) e tradições são narradas em forma de música por uma banda, acompanhada de um casal de bailarinos. Em quase duas horas de passeio, os passageiros podem ver alguns dos pontos turísticos mais famosos da cidade de outra perspectiva, sob as cores hipnotizantes do pôr do sol.

Av. Boulevard Castilho, s/n – Campina, Belém / Tel.: (91) 3212-5525

Filha do Combu: Brigadeiro de colher, doce de cupuaçu, barrinha de cacau e brigadeiro de cacau (Foto: André Aloi)

Ilha do Combu
Comunidade ribeirinha Combu, distante 15 minutos de barco da península, tem no extrativismo a principal fonte de renda. Antigamente, vivia-se da produção de palmito, mas – dependendo da época – hoje extraem cacau, castanha, cupuaçu, além das 90 mil toneladas de açaí/ano. Por lá, vivem cerca de 200 famílias numerosas, com até 10 pessoas por casa. Uma empresa de cosméticos também investe na região, extraindo breu branco, priprioca, muru muru, buriti, cacau e andiroba.

Izete dos Santos Costa, mais conhecida como Dona Nena (Foto: André Aloi)

“Filhas do Combu” é o nome de uma cooperativa que produz chocolate artesanal 100% orgânico e bijoux. Izete dos Santos Costa, mais conhecida como Dona Nena, é quem recepciona grupo de turistas para contar como tudo começou. Pela mata, faz uma pequena trilha, mostrando espécies de árvores e frutos que dão em sua terra. Por fim, mostra como são feitas as barrinhas de cacau, encerrando com uma visita à lojinha souvenirs. Não deixe de levar um pote de brigadeiro de colher e doce de cupuaçu. Agenda sua visita com 10 dias de antecedência, pelo menos. Pelo e-mail: [email protected].

Grafite do projeto “Street River”, que trouxe grafiteiros de diferentes partes do globo para dar uma cor às casinhas de madeira (Foto: André Aloi)

Para encerrar o passeio de barco, pausa para um almoço em um restaurante flutuante: Saldosa Maloca (apesar do trocadilho com salgado, a simpaticíssima Prazeres Quaresma fala que o nome foi um erro de grafia mesmo). A comida amazônica é o destaque de lá, além do papo doce de Dona Neneca, como é mais conhecida, e sua equipe que nos recebeu. Experimente o tambaqui assado, arroz com jambu, vinagrete e farofa temperada. De sobremesa, a tortilha de castanha do Pará com doce de cupuaçu agrada qualquer paladar. Leve roupa de banho para um mergulho no rio Guamá ou um simples banho em chuveiros que esbanjam água natural.

Ilha do Combu, S/n – Guamá, Belém / Tel.: (91) 99982-3396

Casa das Onze Janelas (Foto: André Aloi)

Complexo Cultural Feliz Lusitânia
Berço da fundação da cidade, o complexo Feliz Lusitânia (nome dado ao município pelos colonizadores) abriga o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas (projetado pelo arquiteto italiano Antonio Landi, que no passado serviu de hospital militar), a igreja de Santo Alexandre (antiga Igreja de São Francisco), o Museu de Arte Sacra (que já foi o colégio Jesuítico de Santo Alexandre, depois palácio episcopal), o casario da rua Padre Champagnar (que antigamente era uma loja do comércio) e o Forte do Presépio (extinto Forte do Castelo). No forte funciona o Museu do Encontro, que abriga a Sala Guaimiaba, um sítio arqueológico, onde o turista pode ver cerâmicas marajoaras e tapajônicas (alguns datados até 1500 a.C), entre outros objetos da era pré-colombiana. Os espaços museológicos reforçam o elo da cidade com sua arquitetura.

Praça Frei Caetano Brandão, 117 / Tel.: (91) 4009-8828

Lambateria
Festa que acontece toda quinta-feira no Fiteiro há um ano, mas já virou tradição, a Lambateria enaltece a música local. Já passaram por lá mais de 330 artistas em 60 edições semanais, reunindo um público de mais de 10 mil pessoas. Em nossa passagem por Belém, estava acontecendo o primeiro festival, em comemoração ao Círio (na Insano Marina Club), com shows de Dona Onete, Pinduca, Félix Robatto, Gang do Eletro, Strobo, entre outros. Não estranhe ver a pista toda cantando um sucesso de décadas passadas sem entender… É que a guitarrada, o tecnobrega, a lambada, o carimbó e mais alguns outros formaram uma geração de expoentes, mais conhecidos localmente, muito influenciados por ritmos latinos. Não se preocupe, a energia vai te contagiar!

Dona Onete no palco do festival Lambateria (Foto: Reprodução/Instagram: @joaopedroaranha)

Av. Visc. de Souza Franco, 529 – Umarizal, Belém / Tel.: (91) 3224-0075


Nota de rodapé
Quando vou para municípios com gastronomia totalmente diferente da que estou acostumado, adoro conhecer mercados (pode até ser rede grande), que dá para encontrar ingredientes locais. No caso do Pará, a gente encontra como é vendida a farofa crocante, o tucupi (em garrafa PET), o jambu in natura. Dito isso, se você tiver mais tempo que eu, vá conhecer Theatro da Paz (clique abaixo) – uma réplica do alla Scala (de Milão). Passe ali perto para comprar cachaça de Jambu no bar Meu Garoto. Outro passeio, ao entardecer, é conhecer a orla de Ver-o-Rio. Ali, é possível experimentar – sem nenhum luxo – comidas locais, como maniçoba, tacacá, vatapá e caruru – servidas pelos quiosques. Ah, e se for mais vezes à Estação das Docas, segundo os locais, Capone Ristorante e Soprano Restô valem cada caloria.


*O repórter viajou a convite da Secretaria de Turismo do Governo do Pará com a finalidade de promover o Círio de Nazaré. Quem cuidou do receptivo foi a agência Boeing e nossa guia durante a estadia foi Amanda Coimbra (@guiadebelem).

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